Uma cidade é um poema cheio de ruelas e desgostos. E estas ruas que passo raramente, trazem escrito nas paredes das casas o quanto gostei de ti, o quanto gostaste de mim. Tenho pena, não de ti, não de nós, mas do nosso amor por o termos incentivado ao suicídio. Não lamento ter-te perdido, porque continuas por cá (se há coisa que me ensinaste foi que o amor acaba mas nós continuas vivos). Nem me arrependo da oportunidade que a vida nos deu. O nosso amor foi exatamente o que tinha de ser, no momento em que teve que acontecer e durou tanto quanto nos amámos. E isso é amor. Ninguém nos poderá apagar da história quando fizemos questão de apenas amar mutuamente e genuinamente o que não víamos e não gostávamos, para além do que sempre soubemos, numa certeza garantida, que teríamos para acariciar. Contigo aprendi que o amor bom e genuíno não tem que durar a vida inteira, apenas enquanto existir. É vulnerável mas bonito. Aprendi a amar-te de um modo limitado como se o tempo não existisse e o suficiente tornou-se a vida que todos querem. Tornou-se o suficiente para continuar a amar o que fomos, sem haver somente a necessidade de odiar a razão que nos levou a deixarmos de ser. Hoje sempre que por passo sinto que a cidade ainda é nossa, as paredes contam histórias de todos os tipos, mas para mim sempre será a nossa que ecoará mais alto e sei que para ti também.

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